domingo, 25 de janeiro de 2026

Eólica e solar superam geração a combustíveis fósseis na UE pela primeira vez

Ilustração de ClimaInfo por Ian Stiepcich

Para o Ember, o marco alcançado pelo bloco em 2025 é um ponto de virada crucial para as energias renováveis em uma era de instabilidade geopolítica.

Em 2025, pela primeira vez, a geração elétrica eólica e solar na União Europeia (UE) superou a produção de eletricidade a partir de combustíveis fósseis. É o que mostra o relatório “European Electricity Review 2026”, do think tank Ember, lançado na 4ª feira (21/1).

Turbinas eólicas e painéis fotovoltaicos geraram 30% da eletricidade da UE no ano passado, mostra o documento. Já as termelétricas a carvão, gás e outros combustíveis de origem fóssil responderam por 29% da demanda elétrica, relatam The Guardian e Al Jazeera.

Sozinha, a energia solar foi responsável por 13% da geração elétrica e cresceu mais de 20% pelo quarto ano consecutivo, superando tanto o carvão quanto a hidreletricidade, destaca a Reuters. A geração solar cresceu em todos os países da UE, com a ampla instalação de painéis solares, e forneceu mais de um quinto da eletricidade em Hungria, Chipre, Grécia, Espanha e Holanda em 2025.

Analista sênior de Energia da Ember e principal autora do relatório, Beatrice Petrovich, afirma que o marco é um “ponto de virada crucial” de importância estratégica para a UE, que tem demonstrado crescente preocupação com sua dependência energética de outros países. “A importância disso vai além do setor de energia”, disse ela. “O perigo de depender de combustíveis fósseis é iminente em um cenário geopolítico instável.”

Em dezembro passado, a UE aprovou uma legislação que proíbe as importações de gás fóssil da Rússia até ao final de 2027. No entanto, surgiram novas dependências com o aumento das importações de gás liquefeito (GNL) dos EUA. A forte dependência de um único fornecedor ameaça a segurança do bloco e enfraquece o poder de negociação em contextos geopolíticos e em disputas comerciais, reforça a Ember.

Por isso, a expansão de projetos de armazenamento, sobretudo de baterias, o reforço da rede e o aumento da flexibilidade do lado da demanda permitem uma maior participação solar e eólica no mix energético. O que não só melhorará a segurança energética, mas também é crucial para garantir preços previsíveis e estáveis, reforça o think tank.A virada renovável da UE foi repercutida também em ESG News, Renewables Now, ANSA, Business Green e SustainableViews.

Fonte: ClimaInfo


Queda histórica do carvão na China e na Índia sinaliza avanço da transição energética

 

Uma usina de energia solar fotovoltaica de 50 MW construída na província de Shanxi, em 2017. Crédito: Planet Labs/Wikipédia

Expansão recorde de solar e eólica permitiu redução inédita do combustível fóssil nos dois maiores consumidores de carvão do mundo, segundo análise do Carbon Brief

Karina Pinheiro

Pela primeira vez em 52 anos, a geração de eletricidade a partir do carvão caiu simultaneamente na China e na Índia, segundo análise publicada pelo site especializado Carbon Brief. O recuo foi registrado em 2025 e ocorre após um ano de expansão recorde das fontes renováveis nos dois países, hoje os maiores consumidores de carvão do mundo.

De acordo com o levantamento, baseado em dados do Centre for Research on Energy and Clean Air (CREA), a produção de energia a carvão diminuiu 1,6% na China e 3% na Índia em relação a 2024. Em termos absolutos, a redução combinada supera 110 terawatts-hora (TWh), volume equivalente ao consumo anual de eletricidade de países de médio porte.

A queda interrompe uma tendência contínua de crescimento observada desde 1973, período em que a expansão econômica dessas nações esteve historicamente associada ao aumento do uso de combustíveis fósseis, especialmente do carvão.

Renováveis crescem acima da demanda

O recuo ocorreu apesar do aumento da demanda por eletricidade nos dois países. Em 2025, tanto China quanto Índia registraram crescimento no consumo de energia, impulsionado pela indústria, pela urbanização e pela digitalização da economia. Ainda assim, a expansão acelerada de fontes renováveis (como solar e eólica) foi suficiente para atender essa demanda adicional sem ampliar a geração a carvão.

Na China, a produção total de eletricidade aumentou, mas a geração térmica caiu pela primeira vez em uma década. O país instalou volumes recordes de capacidade solar e eólica ao longo do ano, reduzindo a participação do carvão na matriz elétrica. Na Índia, a expansão das renováveis também superou o crescimento do consumo, levando à retração da geração fóssil.

Segundo o Carbon Brief, esse movimento indica que as fontes limpas começaram a substituir, na prática, parte da eletricidade antes produzida por usinas a carvão, e não apenas a complementar o sistema.

A inflexão é considerada relevante para o enfrentamento da crise climática. China e Índia respondem por uma parcela significativa das emissões globais de dióxido de carbono do setor elétrico e foram responsáveis por cerca de 93% do aumento dessas emissões entre 2015 e 2024.

O carvão é o combustível fóssil mais intensivo em emissões de gases de efeito estufa. Qualquer redução sustentada em seu uso, especialmente em países de grande escala, tem impacto direto sobre o ritmo de crescimento das emissões globais.

Transição sob disputa

O cenário descrito pelos dados revela uma transição energética em curso, mas ainda marcada por contradições. De um lado, a rápida expansão das fontes limpas demonstra que é possível reduzir o uso do carvão mesmo em economias de grande porte e crescimento acelerado. De outro, interesses econômicos, limitações de infraestrutura e preocupações com segurança energética mantêm o combustível fóssil como peça central das matrizes nacionais.

Um relatório da Agência Internacional de Energia Renovável (IRENA) divulgado em outubro de 2025 afirma que, além de expandir a capacidade de energias renováveis, é urgente investir estrategicamente na modernização e expansão das redes de eletricidade para integrar novas capacidades e fortalecer a segurança energética, bem como ampliar soluções de armazenamento de energia para facilitar a integração das renováveis e proteger a estabilidade da rede. O documento estima que cerca de US$ 670 bilhões por ano precisarão ser direcionados às redes até 2030, além de recursos adicionais para armazenamento e integração ao sistema.

A retração simultânea do carvão na China e na Índia é considerada um marco simbólico da transição energética global. O dado sugere que o crescimento econômico não precisa estar necessariamente vinculado ao aumento do uso de combustíveis fósseis.

No entanto, diante da aceleração das mudanças climáticas e da necessidade de cortes rápidos nas emissões, o avanço ainda é visto como insuficiente. A consolidação dessa tendência dependerá de decisões políticas capazes de transformar recordes pontuais de energia limpa em mudanças estruturais duradouras.

Fonte: ((O)) Eco




The Gardian: Rio de Janeiro é uma das cidades com maior vulnerabilidade hídrica no mundo

Half the world’s 100 largest cities are in high water stress areas, analysis finds

Los Angeles is one of the global cities facing extreme water stress, which is being made worse by climate breakdown. Photograph: Kirby Lee/Getty Images

Exclusive: Beijing, Delhi, Los Angeles and Rio de Janeiro among worst affected, with demand close to exceeding supply

Half the world’s 100 largest cities are experiencing high levels of water stress, with 38 of these sitting in regions of “extremely high water stress”, new analysis and mapping has shown.

Water stress means that water withdrawals for public water supply and industry are close to exceeding available supplies, often caused by poor management of water resources exacerbated by climate breakdown.

Watershed Investigations and the Guardian mapped cities on to stressed catchments revealing that Beijing, New York, Los Angeles, Rio de Janeiro and Delhi are among those facing extreme stress, while London, Bangkok and Jakarta are classed as being highly stressed.

Separate analysis of Nasa satellite data, compiled by scientists at University College London, shows which of the largest 100 cities have been drying or getting wetter over two decades with places such as Chennai, Tehran and Zhengzhou showing strong drying trends and Tokyo, Lagos and Kampala showing strong wetting trends. All 100 cities and their trends can be viewed on a new interactive water security atlas.

Guardian graphic. Source: Watershed Investigations

About 1.1 billion people live in major metropolitan areas located in regions experiencing strong long-term drying, compared with about 96 million in and around cities in regions showing strong wetting trends. However, the satellite data is too coarse to show details and context at the local scale.

Most of the city regions in notably wetting zones are in sub-Saharan Africa, with just Tokyo and Santo Domingo in the Dominican Republic sitting elsewhere. Most of the urban centres in areas with the strongest drying signals are concentrated across Asia, particularly northern India and Pakistan.

Now in its sixth year of drought, Tehran is perilously close to “day zero” when no water will be available for its citizens, and last year the country’s president, Masoud Pezeshkian, said the city may have to be evacuated if the drought continues. Cape Town and Chennai have both come close to day zero and many of the world’s fastest-growing cities are situated in drying zones where they could experience future water shortages.

Mohammad Shamsudduha, professor of water crisis and risk reduction at UCL, said: “By tracking changes in total water storage from space, [the Nasa project] Grace shows which cities are drying and which are getting wetter, offering an early warning of emerging water insecurity.”

On Tuesday the UN announced that the world had entered a state of water bankruptcy where deterioration of some water resources had become permanent and irreversible. Prof Kaveh Madani, director of the United Nations University Institute for Water Environment and Health, said poor management of water is frequently the main cause of bankruptcy and that climate breakdown is seldom the sole reason: “Climate change is like a recession on top of bad management of business.”

The World Bank Group has also been sounding the alarm. Global freshwater reserves have plunged sharply over the past 20 years, according to the group, which says the planet is losing about 324bn cubic metres of freshwater every year, enough to meet the annual needs of 280 million people, or roughly the population of Indonesia. The losses affect major river basins on every continent.

By 2055, England could need to find an additional 5bn litres of water a day to meet demand for public water supply – more than a third of the 14bn litres of water currently put into the public water supply, according to the Environment Agency. Other water sectors, such as agriculture and energy, may need an additional 1bn litres of water a day.

Shamsudduha said the “hidden resource of groundwater offers the UK a more climate-resilient water supply”, but added that “without sustained monitoring and better management we risk managing it blindly amid intensifying development and climate pressures”.

Parts of southern England have recently suffered water outages, which South East Water blamed on winter storms. However, regulators had already written to the company with “serious concerns” about its security of supply.

On Tuesday the government published a water white paper aimed at overhauling the water system, including establishing a new chief engineer role, “MOT checks” on water infrastructure and new powers for a new water regulator.

Fonte: The Gardian


sábado, 24 de janeiro de 2026

Prefeitura publica Edital para as obras de macrodrenagem da Bacia do Rio Icaraí

Niterói convive há décadas com um problema histórico de drenagem, causando transtornos a cada chuva mais forte: o alagamento da Avenida Roberto Silveira, do Campo de São Bento e entorno. A obra é há muito tempo aguardada e o problema tem data para acabar.

Em 2024, ainda na minha gestão como prefeito de Niterói, licitei e contratei o projeto de engenharia para a drenagem da bacia do Rio Icaraí. Este é o último grande projeto de macrodrenagem que faltava fazer em Niterói (fizemos várias obras na Região Oceânica, no Barreto/Engenhoca, no Fonseca e Pendotiba), para prevenir os problemas de alagamento em situação de chuvas fortes e reforçar a resiliência climática da cidade. O projeto foi concluído em 2025, pela gestão do prefeito Rodrigo Neves, e a Prefeitura acaba de anunciar o lançamento do edital para a contratação das obras definitivas. A obra tem previsão de execução em 30 meses e contarácom 6 km de rede de drenagem com galerias de 5,0 x 1,5 metros.

Nos últimos anos, Niterói passou pelo maior ciclo de investimentos da sua história, com mais de R$ 2,6 bilhões investidos em infraestrutura só entre os anos de 2021 e 2024. Uma grande parte dessas obras teve como objetivo a resiliência climática da cidade, como as intervenções de contenção de encostas, que aportaram um investimento de mais de R$ 1 bilhão desde 2013, sendo que a metade desse valor - R$ 500 milhões, foram investidos nos quatro anos da minha gestão.

Saiba mais sobre as obras de macrodrenagem já realizadas em Niterói na postagem PRIORIDADE DE NITERÓI E DE OUTRAS CIDADES EM DRENAGEM PARA ADAPTAÇÃO ÀS MUDANÇAS CLIMÁTICAS

A cidade não fica pronta nunca, mas esse é um passo decisivo no avanço para a resiliência climática, sustentabilidade e operacionalidade urbana de Niterói. É preciso seguir avançando. 

Axel Grael
Prefeito de Niterói (2021-2024)

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Prefeitura publica Edital para as obras de macrodrenagem da Bacia do Rio Icaraí


A Empresa de Infraestrutura e Obras de Niterói (ION) lançou, nessa quinta-feira (22/01), o Edital de Licitação para a contratação de empresa visando a elaboração do projeto executivo e execução das obras de macrodrenagem da Bacia do Rio Icaraí, que irá solucionar os problemas de alagamento no entorno do Estádio Caio Martins e adjacências.

A licitação está marcada para o dia 13 de abril. O edital está disponível para download no site oficial da ION (www.ion.niteroi.rj.gov.br), podendo, também, ser retirado presencialmente na sede da empresa, segundo orientações contidas no Diário Oficial.

O projeto prevê a realização de obras de macrodrenagem nas ruas Lopes Trovão e Presidente Backer, e microdrenagens num quadrilátero delimitado pelas ruas Paulo César, Santa Rosa, Mariz e Barros e a Avenida Roberto Silveira. Ao todo, são estimados a construção de 6 quilômetros de rede, com galerias medindo até 5m x 1,5m.

O volume de água coletado será depositado num grande reservatório subterrâneo a ser construído em parte do terreno onde hoje se encontra o campo de futebol do Estádio Caio Martins, com capacidade para 102.659 m³ e área de cerca de 15 mil m², abrangendo, também, a parte onde se localizam as arquibancadas voltadas para a rua Presidente Backer, que serão demolidas.

Três bombas de sucção serão responsáveis por transferir o volume de água para o reservatório, que terá a função de armazenar e liberar, de maneira controlada, o fluxo para o Rio Icaraí, evitando a ocorrência de enchentes e alagamentos. A expectativa é a de que, além da área que receberá as obras, os trabalhos também beneficiem regiões adjacentes, como parte dos bairros Viçoso Jardim, Cubango, Santa Rosa e Pé Pequeno.

A elaboração do projeto básico considerou a preservação das estruturas dos imóveis de toda a região, que não sofrerão qualquer intervenção durante os trabalhos.

Após o término do processo licitatório e contratação da empresa vencedora, o prazo previsto para a conclusão das obras é de 30 meses, contados a partir da publicação da Ordem de Início.

Fonte: ION


sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

A cada dólar investido na proteção da Natureza, US$ 30 são aplicados em sua devastação

Wirestock

Segundo o PNUMA, a maior parte das finanças para o bem-estar ambiental é estatal; o organismo propõe cortar subsídios e investimentos destrutivos.

O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA) lançou na 5ª feira (22/1) o relatório “Estado das Finanças para a Natureza 2026”, com dados de 2023. O documento comprova que, quando se trata de investimentos em meio ambiente, estamos (muito) no vermelho. Afinal, para cada dólar investido na proteção da Natureza, o mundo gasta mais de US$ 30 na sua destruição.

O relatório revela que o financiamento diretamente prejudicial à Natureza atingiu US$ 7,3 trilhões (R$ 38,8 trilhões) em 2023, ante apenas US$ 220 bilhões (R$ 1,1 trilhão) de investimentos em soluções baseadas na natureza (SbN), destaca o Down to Earth. A proporção de 33:1 em favor de atividades negativas para a Natureza alimenta a tripla crise planetária das mudanças climáticas, da perda de biodiversidade e da poluição, alerta o documento.

O levantamento considera as finanças públicas e privadas globais, explica a Folha. Dos fluxos de financiamento prejudiciais à Natureza, US$ 4,9 trilhões (R$ 26 trilhões) foram provenientes de fontes privadas e US$ 2,4 trilhões (R$ 12,7 trilhões) de subsídios públicos. Já dos investimentos em SbN, 90% – US$ 197 bilhões (R$ 1 trilhão) – são provenientes de fontes públicas.

“Se você seguir o fluxo do dinheiro, verá a dimensão do desafio que temos pela frente. Podemos investir na destruição da Natureza ou impulsionar sua recuperação – não há meio-termo”, diz Inger Andersen, diretora executiva do PNUMA. “Enquanto o financiamento de soluções baseadas na natureza avança a passos de tartaruga, investimentos e subsídios prejudiciais disparam. Este relatório oferece aos líderes um roteiro claro para reverter essa tendência e trabalhar com a Natureza, em vez de contra ela.”

O PNUMA reforça que os investimentos em iniciativas focadas no meio ambiente deveriam crescer 2,5 vezes, chegando a US$ 571 bilhões (R$ 3 trilhões) por ano até 2030, para que sejam cumpridas as metas do mais recente tratado da ONU para a biodiversidade. Pode parecer muito, mas o valor representa apenas 0,5% do PIB global em 2024. A projeção do órgão é que esse valor precise atingir US$ 771 bilhões (R$ 4,1 trilhões) anuais até 2050.

Ainda que a escala desse tipo de mudança seja desafiadora, o relatório apresenta exemplos de países que estão adotando medidas concretas para implementá-la.

Na Costa Rica, o reflorestamento de terras degradadas em nível nacional foi viabilizado por meio de incentivos financeiros provenientes de uma taxa sobre combustíveis fósseis. Já na Dinamarca, a transição dos combustíveis fósseis foi acelerada pelo direcionamento de verba arrecadada com impostos sobre energia para pesquisas científicas voltadas à energia eólica. Também foram utilizados mecanismos, como a taxação das emissões de carbono e contratos mais longos e estáveis para produtores de energia renovável. Outlook Business, ECO e SustainableViews também repercutiram o relatório do PNUMA.

Fonte: ClimaInfo




quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Discurso de Mark Carney, em Davos: "Estamos passando por uma ruptura da ordem mundial, não uma transição"

A cidade de Davos, na Suíça, está recebendo o Fórum Econômico Mundial entre os dias 19 e 23 de janeiro. O evento, realizado anualmente, é um dos mais importantes acontecimentos da agenda internacional, reunindo os principais chefes de estado e líderes mundiais, dirigentes destacados da sociedade civil, bem como representantes das principais organizações empresariais. 

Nos primeiros dias, tivemos duas participações diametralmente opostas. Em contraste com a fala de ontem, de Donald Trump, com retórica agressiva, arrogante, preconceituosa e racista, recheada de informações falsas ou distorcidas, com provocações irresponsáveis contra os países europeus - aliados dos EUA há no mínimo 70 anos, ouvimos um dia antes a fala lúcida, realista e edificadora de Mark Carney, primeiro ministro do Canadá, que transcrevemos e apresentamos o vídeo no YouTube

Dentre as muitas mensagens de Carney, o alerta sobre a ruptura da ordem mundial, a crítica contra a ambição de Trump sobre a Groenlândia, dizendo que o Canadá honrará o tratado da OTAN e defenderá a Groenlândia em caso de ataque militar. Exortou a importância das "médias potências", defendeu o multilateralismo e disse que nas atuais relações internacionais, "Ou se está sentado à mesa, ou se está no menu". Em outras palavras, "Ou se está na mesa de negociação, ou serás consumido". Ou como interpretou o jornalista Fernando Gabeira, em comentário na GloboNews: "Quem não comer, será comido". Veja um trecho da fala do primeiro ministro Carney:

“Serei direto: estamos no meio de uma ruptura da ordem mundial, não de uma transição. (...) O fim de uma ficção confortável e o início de uma realidade brutal, em que a geopolítica das grandes potências não está sujeita a nenhuma restrição. (...) Todos os dias somos lembrados de que vivemos em uma era de rivalidade entre grandes potências, que a ordem baseada em regras está se esvaindo, que os fortes fazem o que podem, e os fracos sofrem o que devem”, afirmou Carney (G1).

Leia no texto ou assista no vídeo, a seguir, a íntegra do discurso de Carney, conforme foi divulgado pela própria organização do Fórum Econômico Mundial, de Davos:


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Canadian Prime Minister Mark Carney praised the strengths of the middle powers in his special address at Davos 2026. Image: World Economic Forum / Ciaran McCrickard


This transcript was produced using AI and subsequently edited for style and clarity. The edits do not alter the substance of the speaker’s remarks.

"Thank you very much, Larry. I'm going to start in French, and then I'll switch back to English".

[The following is translated from French]

"Thank you, Larry. It is both a pleasure, and a duty, to be with you tonight in this pivotal moment that Canada and the world going through.

Today I will talk about a rupture in the world order, the end of a pleasant fiction and the beginning of a harsh reality, where geopolitics, where the large, main power, geopolitics, is submitted to no limits, no constraints.

On the other hand, I would like to tell you that the other countries, especially intermediate powers like Canada, are not powerless. They have the capacity to build a new order that encompasses our values, such as respect for human rights, sustainable development, solidarity, sovereignty and territorial integrity of the various states.

The power of the less power starts with honesty"
.

Assista o discurso de Mark Carney no YouTube.

[Carney returns to speaking in English]

"It seems that every day we're reminded that we live in an era of great power rivalry, that the rules based order is fading, that the strong can do what they can, and the weak must suffer what they must.

And this aphorism of Thucydides is presented as inevitable, as the natural logic of international relations reasserting itself.

And faced with this logic, there is a strong tendency for countries to go along to get along, to accommodate, to avoid trouble, to hope that compliance will buy safety.

Well, it won't.

So, what are our options?

In 1978, the Czech dissident Václav Havel, later president, wrote an essay called The Power of the Powerless, and in it, he asked a simple question: how did the communist system sustain itself?

And his answer began with a greengrocer.

Every morning, this shopkeeper places a sign in his window: ‘Workers of the world unite’. He doesn't believe it, no-one does, but he places a sign anyway to avoid trouble, to signal compliance, to get along. And because every shopkeeper on every street does the same, the system persist – not through violence alone, but through the participation of ordinary people in rituals they privately know to be false.

Havel called this “living within a lie”.

The system's power comes not from its truth, but from everyone's willingness to perform as if it were true, and its fragility comes from the same source. When even one person stops performing, when the greengrocer removes his sign, the illusion begins to crack. Friends, it is time for companies and countries to take their signs down.

For decades, countries like Canada prospered under what we called the rules-based international order. We joined its institutions, we praised its principles, we benefited from its predictability. And because of that, we could pursue values-based foreign policies under its protection.

We knew the story of the international rules-based order was partially false that the strongest would exempt themselves when convenient, that trade rules were enforced asymmetrically. And we knew that international law applied with varying rigour depending on the identity of the accused or the victim.

This fiction was useful, and American hegemony, in particular, helped provide public goods, open sea lanes, a stable financial system, collective security and support for frameworks for resolving disputes.

So, we placed the sign in the window. We participated in the rituals, and we largely avoided calling out the gaps between rhetoric and reality.

This bargain no longer works. Let me be direct. We are in the midst of a rupture, not a transition.

Over the past two decades, a series of crises in finance, health, energy and geopolitics have laid bare the risks of extreme global integration. But more recently, great powers have begun using economic integration as weapons, tariffs as leverage, financial infrastructure as coercion, supply chains as vulnerabilities to be exploited.

You cannot live within the lie of mutual benefit through integration, when integration becomes the source of your subordination.

The multilateral institutions on which the middle powers have relied – the WTO, the UN, the COP – the architecture, the very architecture of collective problem solving are under threat. And as a result, many countries are drawing the same conclusions that they must develop greater strategic autonomy, in energy, food, critical minerals, in finance and supply chains.

And this impulse is understandable. A country that can't feed itself, fuel itself or defend itself, has few options. When the rules no longer protect you, you must protect yourself.

But let's be clear eyed about where this leads.

A world of fortresses will be poorer, more fragile and less sustainable. And there is another truth. If great powers abandon even the pretense of rules and values for the unhindered pursuit of their power and interests, the gains from transactionalism will become harder to replicate.

Hegemons cannot continually monetize their relationships.

Allies will diversify to hedge against uncertainty.

They'll buy insurance, increase options in order to rebuild sovereignty – sovereignty that was once grounded in rules, but will increasingly be anchored in the ability to withstand pressure.

This room knows this is classic risk management. Risk management comes at a price, but that cost of strategic autonomy, of sovereignty can also be shared.

Collective investments in resilience are cheaper than everyone building their own fortresses. Shared standards reduce fragmentations. Complementarities are positive sum. And the question for middle powers like Canada is not whether to adapt to the new reality – we must. The question is whether we adapt by simply building higher walls, or whether we can do something more ambitious.

Now Canada was amongst the first to hear the wake-up call, leading us to fundamentally shift our strategic posture.

Canadians know that our old comfortable assumptions that our geography and alliance memberships automatically conferred prosperity and security – that assumption is no longer valid. And our new approach rests on what Alexander Stubb, the President of Finland, has termed “value-based realism”.

Or, to put another way, we aim to be both principled and pragmatic – principled in our commitment to fundamental values, sovereignty, territorial integrity, the prohibition of the use of force, except when consistent with the UN Charter, and respect for human rights, and pragmatic and recognizing that progress is often incremental, that interests diverge, that not every partner will share all of our values.

So, we're engaging broadly, strategically with open eyes. We actively take on the world as it is, not wait around for a world we wish to be.

We are calibrating our relationships, so their depth reflects our values, and we're prioritizing broad engagement to maximize our influence, given and given the fluidity of the world at the moment, the risks that this poses and the stakes for what comes next.

And we are no longer just relying on the strength of our values, but also the value of our strength.

We are building that strength at home.

Since my government took office, we have cut taxes on incomes, on capital gains and business investment. We have removed all federal barriers to interprovincial trade. We are fast tracking a trillion dollars of investments in energy, AI, critical minerals, new trade corridors and beyond. We're doubling our defence spending by the end of this decade, and we're doing so in ways that build our domestic industries.

And we are rapidly diversifying abroad. We have agreed a comprehensive strategic partnership with the EU, including joining SAFE, the European defence procurement arrangements. We have signed 12 other trade and security deals on four continents in six months. The past few days, we've concluded new strategic partnerships with China and Qatar. We're negotiating free trade pacts with India, ASEAN, Thailand, Philippines and Mercosur.

We're doing something else. To help solve global problems, we're pursuing variable geometry, in other words, different coalitions for different issues based on common values and interests. So, on Ukraine, we're a core member of the Coalition of the Willing and one of the largest per capita contributors to its defence and security.

On Arctic sovereignty, we stand firmly with Greenland and Denmark, and fully support their unique right to determine Greenland's future.

Our commitment to NATO's Article 5 is unwavering, so we're working with our NATO allies, including the Nordic Baltic Gate, to further secure the alliance's northern and western flanks, including through Canada's unprecedented investments in over-the-horizon radar, in submarines, in aircraft and boots on the ground, boots on the ice.

Canada strongly opposes tariffs over Greenland and calls for focused talks to achieve our shared objectives of security and prosperity in the Arctic.

On plurilateral trade, we're championing efforts to build a bridge between the Trans Pacific Partnership and the European Union, which would create a new trading bloc of 1.5 billion people. On critical minerals, we're forming buyers’ clubs anchored in the G7 so the world can diversify away from concentrated supply. And on AI, we're cooperating with like-minded democracies to ensure that we won't ultimately be forced to choose between hegemons and hyper-scalers.

This is not naive multilateralism, nor is it relying on their institutions. It's building coalitions that work – issues by issue, with partners who share enough common ground to act together.

In some cases, this will be the vast majority of nations.

What it's doing is creating a dense web of connections across trade, investment, culture, on which we can draw for future challenges and opportunities.

Argue, the middle powers must act together, because if we're not at the table, we're on the menu.

But I'd also say that great powers, great powers can afford for now to go it alone. They have the market size, the military capacity and the leverage to dictate terms. Middle powers do not.

But when we only negotiate bilaterally with a hegemon, we negotiate from weakness. We accept what's offered. We compete with each other to be the most accommodating.

This is not sovereignty. It's the performance of sovereignty while accepting subordination. In a world of great power rivalry, the countries in between have a choice – compete with each other for favour, or to combine to create a third path with impact.

We shouldn't allow the rise of hard power to blind us to the fact that the power of legitimacy, integrity and rules will remain strong, if we choose to wield them together – which brings me back to Havel.

What does it mean for middle powers to live the truth?

First, it means naming reality. Stop invoking rules-based international order as though it still functions as advertised. Call it what it is – a system of intensifying great power rivalry, where the most powerful pursue their interests, using economic integration as coercion.

It means acting consistently, applying the same standards to allies and rivals. When middle powers criticize economic intimidation from one direction, but stay silent when it comes from another, we are keeping the sign in the window.

It means building what we claim to believe in, rather than waiting for the old order to be restored. It means creating institutions and agreements that function as described. And it means reducing the leverage that enables coercion – that's building a strong domestic economy. It should be every government's immediate priority.

And diversification internationally is not just economic prudence, it's a material foundation for honest foreign policy, because countries earn the right to principled stands by reducing their vulnerability to retaliation.

So Canada. Canada has what the world wants. We are an energy superpower. We hold vast reserves of critical minerals. We have the most educated population in the world. Our pension funds are amongst the world's largest and most sophisticated investors. In other words, we have capital, talent… we also have a government with immense fiscal capacity to act decisively. And we have the values to which many others aspire.

Canada is a pluralistic society that works. Our public square is loud, diverse and free. Canadians remain committed to sustainability. We are a stable and reliable partner in a world that is anything but.. A partner that builds and values relationships for the long term.

And we have something else. We have a recognition of what's happening and a determination to act accordingly. We understand that this rupture calls for more than adaptation. It calls for honesty about the world as it is.

We are taking the sign out of the window. We know the old order is not coming back. We shouldn't mourn it. Nostalgia is not a strategy, but we believe that from the fracture, we can build something bigger, better, stronger, more just. This is the task of the middle powers, the countries that have the most to lose from a world of fortresses and most to gain from genuine cooperation.

The powerful have their power.

But we have something too – the capacity to stop pretending, to name reality, to build our strength at home and to act together.

That is Canada's path. We choose it openly and confidently, and it is a path wide open to any country willing to take it with us. Thank you very much".

terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Groenlândia sob risco, paz ameaçada, mundo sob mais uma agressão de Trump


Encontro com crianças de Kulusuk, no litoral sudeste da Groenlândia. Lembrança da minha visita à Groenlândia, em 1972. 

Cobiça sobre a Groenlândia. A paz ameaçada. O mundo sob a tensão de mais uma crise produzida por Trump. 

Ao longo da história, a Groenlândia teve limitada relevância estratégica global. As pessoas tinham pouca informação sobre o local, considerado inóspito e habitado mais por focas e ursos polares que por humanos. 

Mas, nos últimos meses, isso vem mudando e a Groenlândia está nos "trending topics" por um motivo muito preocupante. A maior ilha do mundo passou a ser alvo da ambição da política internacional de Donald Trump. O presidente americano ameaça anexar a Groenlândia aos EUA, seja por acordo, pela compra ou pela força. Ignora que a ilha tem o seu povo, um governo autônomo, mas vinculado historicamente à Dinamarca. Logo, é parte da Organização do Tratado do Atlântico Norte - OTAN, uma aliança militar criada há 77 anos, que os próprios EUA fazem parte e sempre lideraram. A OTAN é fundamental para o equilíbrio de forças no mundo, mas diante da atitude dos EUA contra a Dinamarca e toda a Europa, está agora ameaçada.

Trump alega, sem qualquer fundamento, que a Rússia e a China teriam a intenção de tomar a Groenlândia, acusando a Dinamarca de não se esforçar ou ter meios de proteger a ilha. Segundo ele, isso seria uma ameaça à segurança dos EUA e da própria Europa. A União Europeia nega e reage. Rússia e China, por sua vez, afirmam não ter qualquer interesse ou plano com relação à Groenlândia e condenam a atitude dos EUA de usá-los como pretexto.

Diante da reação contrária da União Europeia, dos países europeus e de todo o mundo, Trump parte para a coerção e ameaça os países que se posicionam contra com tarifas comerciais. A Europa também ameaça reagir com retaliações contra os EUA.

Trump conseguiu instaurar mais uma crise internacional, desta vez com os seus mais tradicionais aliados: os países europeus. O conflito enfraquece a OTAN e a Europa, que se vê ameaçada pela agressão e expansionismo russo, representado pela Guerra na Ucrânia. 

Groenlândia

Considerada a maior ilha do mundo, a Groenlândia tem dimensões continentais e situa-se no Atlântico Norte. Quase todo o seu território está localizado dentro do Círculo Polar Ártico e 80% é permanentemente coberto por gelo e geleiras. As temperaturas ficam acima de 0°C apenas um mês por ano. A Groenlândia possui uma população de 57 mil habitantes (2024), quase todos da etnia Inuit (esquimós) e possui autonomia administrativa, embora esteja vinculado à Dinamarca. Seu território possui 2,17 milhões de km², o que corresponde a um pouco menos da soma da Região Sudeste e Nordeste do Brasil. A capital é Nuuk, sitiada na costa sudoeste da ilha. 

Geografia

A terra é redonda! Mas, nos acostumamos com mapas planos. Em cartografia, existem várias formas de projeção, que visam representar o globo terrestre na superfície plana, sendo que a mais comum é a de Mercator. O problema é que ela distorce as proporções a medida que a representação se aproxima dos polos. Isso faz com que as pessoas tenham uma noção errada da Groenlândia. Ela é muito grande, mas não tanto quanto parece. Também, não parece, mas a Groenlândia é mais perto da Sibéria do que as pessoas imaginam. Olhando o globo por cima dos polos, entende-se isso melhor. 

Por exemplo, a distância da capital americana, Washington (DC), para a capital da Groenlândia, Nuuk, é de cerca de 3.300 km em linha reta. De Kulusuk, localidade no sudeste da Groenlândia que visitei em 1972, até Zapolyarny, no norte da Sibéria, é de cerca de 4.000 km. Para comparação, a distância de 4.000 km equivale aproximadamente à que separa Nova York de Los Angeles.

Importância geopolítica 

Um dos maiores alvos de Trump é o multilateralismo, que tem atacado e sistematicamente enfraquecido pelos EUA, com a retirada do apoio financeiro e a própria presença do país em organismos da ONU e outras instituições internacionais.

O interesse maior é reforçar a hegemonia dos EUA, conquistar territórios e alcançar ganhos econômicos e se apossar do patrimônio natural de outros países: petróleo, minérios etc. O seu discurso aponta para um caminho de confronto e o mundo ainda assiste com perplexidade.

Importante lembrar que as mudanças climáticas tem aumentado a temperatura no Ártico, reduzindo áreas antes permanentemente cobertas pelo gelo. Isso tem viabilizado novas rotas de navegação antes impossíveis. 

Como dizem algumas lideranças mundiais e analistas, estamos vivendo um momento histórico de ruptura. Trump rompe os vínculos de confiança com os seus principais aliados históricos e é dificil antever o que virá pela frente. O fato é que as perspectivas não são boas.

Groenlândia e as mudanças climáticas 

O clima da Europa é muito influenciado pelos ventos frios que vêm da Groenlândia e do Ártico, pelos ventos quentes e secos que vêm do Saara, cruzando o Mediterrâneo, e a umidade que vêm das correntes do Atlântico Norte. O sistema de correntes do Atlântico Norte é conhecido por Circulação de Revolvimento Meridional do Atlântico - AMOC (Atlantic Meridional Overturning Circulation) e cientistas estão alertando para alterações que estão ocorrendo devido às mudanças climáticas e podem ter resultados trágicos. Os impactos podem causar o aquecimento do Ártico, mudando todo o padrão climático, principalmente do hemisfério norte, mas com consequências globais. Pode ser o mais grave ponto de não-retorno ("tipping point") causado pelas mudanças climáticas.

O degelo das calotas polares é uma das principais preocupações relacionadas às mudanças climáticas, pois pode potencializar o problema da elevação do nível do mar.

A estratégia de Trump

Trump governa como se dirigisse as suas empresas e não um país com tradição democrática e responsabilidade planetária. Porta-se como se estivesse sempre fazendo negócios, da forma agressiva, autoritária e desrespeitosa. Aposta sempre na intimidação, na crise e na confusão. E não faz segredo disso.

Seu método é exatamente aquilo que ele pregou no seu livro "A arte da Negociação" (The Art of the Deal), lançado em 1987, em coautoria com o jornalista Tony Schwartz: "Meu estilo de negociar é bem simples e direto. Miro bem alto e fico insistindo, insistindo, insistindo para conseguir o que busco". 

É o que tem feito com relação à Groenlândia: Trump repete a sua ameaça à exaustão e espera conquistar o seu intento. É o mesmo que faz ao aplicar altas tarifas aos países onde tem algum interesse comercial. Estes países acabam fazendo algum acordo e se sentem contemplados e triunfantes com condições inferiores ao que tinham antes. Ou seja, fiel ao método: primeiro instaura-se o conflito e o caos e, depois, negocia-se. Assim Trump lida com o Canadá, México, Venezuela, Ucrânia, Panamá e, agora, a Groenlândia.

Enfim, Trump é um lider narcisista, perigoso e age sem qualquer freio. Nos perguntamos onde estão as instituições nos EUA? Onde está a justiça? Onde está o Congresso? Onde está a oposição? Onde está a cidadania?

Axel Grael 


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LEMBRANCA DE UMA VISITA À GROENLÂNDIA

Assistindo a uma manifestação cultural em Kulusuk, Groenlândia, em 1972.

Estive na Groenlândia em 1972, quando eu tinha 14 anos, levado pelo meu avô materno, o dinamarquês Preben Tage Axel Schmidt

Recém formado em engenharia civil na Escola Politécnica de Copenhague, Preben chegou ao Brasil em 1924, a serviço da construtora dinamarquesa Christiani-Nielsen. O que era para ser uma rápida viagem, acabou virando uma vida inteira. Encantado com o Brasil e com Niterói, decidiu estabeler-se na cidade e constituir família. Quando ainda na Dinamarca, sagrou-se campeão europeu de hipismo cross-country, mas diante do esplendor da Baía de Guanabara, trocou de esporte e se dedicou à vela, tornando-se sócio do Rio Sailing Club, no Saco de São Francisco.

Ele adorava o Brasil e se dizia "mais brasileiro do que muita gente que nasceu aqui". Mas, sentia falta do frio e viajava periodicamente para algum lugar muito frio. Em 1972, tive o prazer de fazer a primeira dessas viagens com ele. Conheci a Dinamarca, Suécia, Noruega (norte do país), Finlândia, Islândia e Groenlândia. 

Com a minha mãe Ingrid e os meus irmãos Torben e Lars, no solo gelado da Antártica (1973). 

No ano seguinte (1973), levou nossa família para visitar a Antártica, no primeiro cruzeiro comercial realizado para o continente gelado.

Axel Grael 



domingo, 18 de janeiro de 2026

LEGADO: Acompanhei a entrega das obras iniciadas na minha gestão como prefeito em sete comunidades de Niterói


Entrega das obras na Grota.

Na comunidade do Monan, entregando as obras para a garotada que vai mais se beneficiar do investimento.

Reunião com lideranças comunitárias para a assinatura da Ordem de Início das obras nas comunidades Maceió, Caniçal, Souza Soares, Grota, Igrejinha, Bonsucesso, Mineirinho, Caranguejo, Barreira e Monan. No total, as obras foram orçadas em R$ 170 milhões. Este foi um dos lotes de investimentos realizados pelo Plano Niterói 450 Anos, anunciado em abril de 2022. 

Ontem vi com orgulho a conclusão de sete obras de infraestrutura em comunidades iniciadas durante a minha gestão como prefeito de Niterói (2021-2024).

Percorri comunidades de Niterói, acompanhando o atual prefeito Rodrigo Neves, fazendo a entrega para a população de obras que iniciei em abril de 2024, com um investimento de R$ 170 milhões. As obras entregues incluíram a pavimentação de vias internas, saneamento, drenagem, contenção de encostas, construção de sede para as associações de moradores, creches, praças. As comunidades visitadas ontem foram Caniçal (Região Oceânica), Caranguejo e Barreira (Largo da Batalha), Monan (Cantagalo), Maceió (Maceió) e Grota (São Francisco). Em agosto de 2024, demos a Ordem de Início para as obras na comunidade do Papagaio, no Barreto, que também foram entregues ontem.

Para mais informações sobre as obras, acessar aqui.

RÉCORDE DE INVESTIMENTOS

A maioria das comunidades está na região de Pendotiba, onde, mesmo com a pandemia, investimos, em quatro anos, mais de R$ 250 milhões em obras de infraestrutura, contenção de encostas, saúde, educação, esportes, lazer e criação de áreas de proteção ambiental. 

Em março de 2022, como parte dos esforços de retomada da economia de Niterói no período pós-COVID, anunciei um grande ciclo de investimentos pela Prefeitura de Niterói chamado Plano Niterói 450 Anos, em alusão ao jubileu da cidade. O Eixo Comunidades do Niterói 450 Anos previa na época um total de investimentos de R$ 1.380.000.000, mas que ultrapassou a marca de R$ 1,5 bilhão. Dentre as ações incluídas estavam os seguintes programas: 

  • Moeda Social Arariboia (criado em 2021 pela Prefeitura. É a maior iniciativa de moeda social e o maior programa municipal de transferência de renda do país)
  • Contenção de Encostas
  • Comunidade Melhor (infraestrutura nas comunidades), 
  • Prefeitura Presente (centenas de obras menores realizadas pela EMUSA),
  • Unidades Habitacionais (Minha Casa Minha Vida)
  • Regularização Fundiária (foram contratados a regularização de mais de 10 mil unidades habitacionais)
  • Niterói Jovem EcoSocial (programa premiado pelo seu caráter inovador)
  • Programa de Neutralização de Carbono
JUVENTUDE

Também fazem parte do conjunto de ações comunitárias, as iniciativas voltadas para dar oportunidades para a juventude, principalmente para aqueles em situação de vulnerabilidade social. Um dos programas é o Niterói Esporte e Cidadania - NEC, lançado em 2022, que oferece programas esportivos nas comunidades atendendo 10.000 participantes. O NEC é desenvolvido pela Secretaria Municipal de Esporte e Lazer - SMEL.

O Projeto Aprendiz Musical ganhou uma nova dimensão. Foi criado em 2001 e em 2022 atendia 2.100 alunos. O número de participantes quase quintuplicou e, em 2024, entregamos com mais de 10.000 estudantes da rede pública de educação participando. Além de crescer em número, o Aprendiz ganhou uma nova capacidade organizacional, com duas sedes novas: Casa Aprendiz (Fonseca), Casa Norival de Freitas (Centro), além do convênio com o Conservatório de Música de Niterói. Através da parceria com o IMMUB, foram comprados novos instrumentos musicais de qualidade superior, qualificando ainda mais as apresentações dos músicos e a demais atividades artísticas. 

Em 2023, lançamos o projeto Território da Juventude, com o foco inicial na comunidade do Viradouro, tendo a Plataforma Urbana Digital - PUD do Viradouro como base. Também cabe destaque os programas Poupança Escola (beneficiou 1.890 estudantes em 2024), Espaço Nova Geração e os programas da Coordenadoria da Juventude. Todas estas ações 

No total, os investimentos realizados pela Prefeitura de Niterói, entre 2021 e 2024, foram de mais de R$ 3 bilhões, o que representa o maior investimento da história da Prefeitura de Niterói.

Saiba mais sobre os investimentos importantes da Gestão Axel Grael, que promoveram uma grande transformação de Niterói:

Outras conquistas importantes de Niterói:


Fico feliz de ver as sementes que plantamos gerando bons frutos e beneficiando a população de Niterói. Parabenizo o prefeito Rodrigo Neves, parceiro de bons projetos para Niterói, pelas entregas e pelo bom trabalho que está sendo feito na cidade.

Axel Grael


Conheça as consequências dos vários niveis de aumento da temperatura global

 


A organização World Resources Institute publicou no seu Instagram um quadro síntese das consequências previstas para diferentes projeções de aumento da temperatura média do planeta. Segundo os últimos dados do @CopernicusECMWF, já atingimos a temperatura global de 1,4°C acima dos níveis pré-industriais.

Essa temperatura poderá superar 1,5°C até 2030. Veja o que poderemos enfrentar pela frente.


sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Sob Trump, emissões de carbono crescem nos EUA em 2025

Ilustração criada via IA (Gemini).

Depois de dois anos de declínio, as emissões de gases de efeito estufa aumentaram 2,4% nos EUA, puxadas pela retomada da geração termelétrica.

Um levantamento publicado pela consultoria Rhodium Group nesta semana indicou que as emissões de gases de efeito estufa dos Estados Unidos aumentaram 2,4% em 2025, revertendo dois anos de quedas sucessivas. A análise considera apenas as emissões associadas à geração de energia elétrica.

Segundo a análise, os EUA emitiram 5,8 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (GtCO2e) em 2025, o que representa 139 milhões de toneladas (MtCO2e) a mais do que em 2024. Em grande parte, a alta está relacionada à maior queima de carvão para geração termelétrica. Como assinalado pela Associated Press, o aumento dos preços do gás natural contribuiu para um crescimento de 13% na geração de energia a carvão, que havia diminuído em quase 2/3 desde o pico em 2007.

Segundo os pesquisadores responsáveis pelo estudo, o desmonte das políticas climáticas norte-americanas por Trump ainda não se reflete nesses números. Para eles, a alta está associada à retomada da geração termelétrica no país, motivada pelo aumento da demanda por energia elétrica no último ano, especialmente no inverno.

“Não prevemos um grande impacto nas emissões em 2025 devido às ações do governo Trump, embora obviamente esperemos que eles tenham um impacto crescente no futuro”, afirmou Michael Gaffney, analista de pesquisa do Rhodium Group, ao NY Times. “O principal fator foi, em parte, o clima e, em parte, um setor de energia em expansão que está queimando mais carvão.”

Segundo a BBC, um fator contribuinte para o aumento da demanda por eletricidade, que vinha estável nos EUA na última década, é o crescimento dos data centers espalhados pelo país. A expansão dessas instalações e das operações de mineração de criptomoedas em estados como Texas e Ohio exigiu energia adicional. Em boa parte, essa demanda adicional foi atendida pelo carvão.

ABC News e Washington Post, entre outros, também abordaram a alta das emissões de carbono nos EUA.

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Em tempo: Por décadas, a Agência de Proteção Ambiental (EPA) dos EUA usou estimativas de custos de crises de asma e de mortes prematuras evitadas para justificar restrições à poluição industrial. No entanto, o governo Trump alegou que essas estimativas seriam “duvidosas” e decidiu que, a partir de agora, apenas os custos para as empresas serão considerados na definição de normas antipoluição. A medida foi criticada por especialistas. “Se você considerar apenas os custos para a indústria e ignorar os benefícios, não poderá justificar qualquer regulamentação que proteja a saúde pública”, disse Richard Revesz, da Universidade de Nova York, ao NY Times. Associated Press, Bloomberg e Washington Post também repercutiram a notícia.

Fonte: InfoClima